Pontes geracionais: Preconceitos que desnorteiam
Ao preconceito contra pessoas mais velhas em virtude da idade, se dá o nome de etarismo. E quando o etarismo acontece em virtude da idade contra pessoas mais novas, ficamos quietos? Nosso colunista propõe uma análise… e quer respostas
Por Ricardo Soares*
Eu ia escrever sobre o tal hediondo etarismo e suas causas e consequências mas não quis ser redundante visto que já falaram (e bem) sobre o assunto aqui no Viver Sem Preconceitos especialmente depois da repercussão da fala daquelas tolas calouras de biomedicina em Bauru (SP) que “zoaram” uma aluna mais velha e ainda na flor dos seus quarenta anos. Para encerrar o mote fico me perguntando: se fizeram chacota com uma quarentona o que fariam com um colega sexagenário?
Isso posto quero falar de outro tipo de preconceito que também tem a ver com idade e do qual, infelizmente, também fico refém. Dessa vez vou falar mais, criticamente, dos tiozões e tiazinhas que detonam gostos e comportamentos dos mais jovens sem tentar entender os motivos pelos quais eles têm, digamos, essas “tendências”, gostos e costumes. E nessa categoria dos “tiozões” é preciso (redundo) deixar claro que me incluo nisso.
O preconceito entre as faixas etárias sempre existiu, mas agora é mais notado nesses tempos de redes sociais onde tudo fica mais escancarado. Ao invés de gostos e costumes serem trocados parecem vir sempre antes com a peja ‘lacradora” de “coisa de velho” e “coisa de jovem”.
Se por um lado eles têm má vontade com textos longos (chamam de textão!) em qualquer plataforma e, no geral, não são afeitos a leituras, os mais velhos esculacham sem trégua o modo como se vestem, falam, se tatuam em demasia ou usam cílios e sobrancelhas artificiais. Isso sem falar nas unhas compridas e anti-higiênicas de muitas garotas e, evidente, que quando me refiro a falta de higiene já embuto um preconceito.
Viver nas grandes cidades brasileiras é cada vez mais perigoso e me pergunto se toda essa “nova ordem” estética e comportamental não é um escudo contra tantas contrariedades. E se os tiozões e tiazinhas analógicos não são desfiladeiros de preconceitos contra essas novas posturas. Sinceramente não tenho respostas . Também por isso eu escrevi a crônica sobre esse mote. Para ouvir vocês e tentar ficar menos atarantado com preconceitos que me desnorteiam.
*O texto produzido pelo autor não reflete, necessariamente, a opinião do Portal VSP

Ricardo Soares
Colunista VSP

Jornalista, escritor, roteirista e diretor de TV. Dirigiu 12 documentários e escreveu para a TV Cultura, Rede SescSenac, TV Brasil, GNT e outras. Um dos criadores e primeiro apresentador do programa Metrópolis da TV Cultura. Fez parte da equipe que fundou o Caderno 2 do Estadão. Publicou 10 livros, entre eles, os romances Cinevertigem e Amor de Mãe, além dos infantojuvenis Valentão e O Brasil é feito por nós?
No Instagram fala de livros em 1 minuto no @naredecomsede.
Foto: Yan Krukau/Pexels

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