Eu quero ser tudo, e, por isso, não sou nada
O bom dessa história é saber que o que temos de descobrir é que essa competição ninguém tem de vencer…
Por Ana Beatriz Carvalho*
Vivemos em um mundo movido pelo capital. Por isso, a régua de qualidade de uma população é medida pela sua produtividade. Quanto mais produtivo, mais trabalha e, portanto, mais capital é gerado, o que coloca as engrenagens para funcionar.
O problema é que uma lógica que surgiu nas fábricas, se espalhou para todos os setores da vida. A ideia de “fazer seu melhor para sempre produzir mais” fez com que o mundo atual adoecesse em busca de uma constante e inalcançável perfeição.
Tudo virou um projeto. Nosso corpo, nossa aparência, nossos relacionamentos, nossos hobbies e nossas profissões.
Nada nunca é bom o suficiente.
E esse modelo de sociedade se sustenta de uma forma consideravelmente esquisita. Queremos que a população trabalhe, mas automatizamos quase todos os setores. Daqui a pouco, máquinas até respirarão por nós. Não temos muito para fazer e, ainda assim, parece que falta tempo para completarmos nossas tarefas.
Mas afinal de contas, que tarefas são essas? Quem as implementou em nossas rotinas?
O que acontece é que, como tudo o que é vida virou objetivo, toda amizade se transformou em networking, todo compromisso agora é obrigação, todo horário é deadline e toda conquista é passível de comparação, nos sentimos imersos em uma eterna competição.
Ganha quem tiver o melhor carro, a melhor casa, a família mais estável, o emprego com maior retorno financeiro, a vida mais glamourosa, o físico mais impecável, a melhor saúde mental, a maior lista de países visitados, e assim se segue um infinito numeramento de possíveis medidas para qualidades de vidas.
Mas sabe qual é o segredo? Ninguém jamais vai vencer essa competição. Mesmo que alguém dedique todos os seus dias a completar esses objetivos, logo mais um surgirá. É uma corrida em círculos.
O objetivo desse sistema é causar insatisfação para te vender soluções temporárias. Vejamos as redes sociais como exemplo: nada passa de uma grande estratégia de marketing. Você vê uma pessoa com cabelo bonito e logo deseja comprar algo para deixar seu cabelo como o dela. Assim, aparecem anúncios, sites online e um ciclo de tentativas falhas para alcançar metas e padrões impossíveis.
Novas inseguranças serão continuamente construídas porque não paramos de ver retratos da vida alheia, propagandas contagiantes e uma crescente pressão vindo de todos os lados mas, principalmente, de nós mesmos.
A internet nos possibilita contato com muitas realidades e, assim, é inevitável que nos comparemos. Queremos mais do que podemos. Inclusive, mais do que devemos.
E no meio desse excesso de informações, nos sentimos perdidos. Deslocados. Para trás.
Ficamos estagnados porque ao mesmo tempo em que há diversas possibilidades de vidas incríveis, há também tanta cobrança que tudo parece difícil demais. E aí, não fazemos nada.
Talvez a busca por qualidade de vida não esteja na caça por realidades alternativas, mas sim na aceitação da sua própria. Talvez seja possível cultivar uma existência equilibrada e prazerosa se, ao invés de espelhar seus passos no do próximo, entender o seu próprio rotina e seguir seu caminho de acordo com o que você mesmo achar melhor.
E precisamos entender que não tem como viver medindo nossos dias por parâmetros de produtividade. A vida é muito mais do que isso. São os momentos com aqueles que amamos, as risadas compartilhadas, as ações de carinho, as tardes ao ar livre. E o ruim também. A dor, sofrimento, luto, desespero, tudo faz parte da complexa ação de existir.
Mas te garanto que vale a pena estar inteiramente envolvido, em tudo. Contanto que você esteja presente, já vale a pena. Ninguém está na sua frente. Você não está atrasado. Você não é menos capaz, menos valioso ou menos completo. A vida não foi feita para ser medida através de índices, metas, objetivos confusos ou comparações intermináveis. Precisamos estar conscientes de que somos apenas uma pessoa e isso basta.
*O texto produzido pela estagiária Ana Beatriz Sapata foi supervisionado pelo jornalista Cleber Siqueira

Ana Beatriz Carvalho
Estagiária VSP

Ana Beatriz Carvalho Sapata estuda Comunicação Social na Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo. Durante o estágio da estudante no Portal Viver Sem Preconceitos, sua atenção estará voltada a tudo que se refere ao conceito da diversidade e ao apoio das causas que combatem os preconceitos. Conheça mais sobre Ana Bia, acessando o LinkedIn. Esse estágio é supervisionado pelo jornalista Cleber Siqueira.
Foto: Public Domain Pictures

Siga o Viver Sem Preconceitos nas Redes Sociais
![]()
![]()
![]()
Curta, comente, compartilhe…
Vamos fazer do mundo um lugar melhor para se viver,
um lugar com menos preconceitos!
O Portal Viver Sem Preconceitos autoriza a reprodução de seus conteúdos -total ou parcial- desde que citada a fonte e da notificação por escrito.
Para o uso de matérias e conteúdos de terceiros publicados aqui, deve-se observar as regras propostas por eles.