Desconstruindo fronteiras

A linguagem neutra como instrumento de inclusão para além da binariedade
Por Nelly Winter*
A sociedade está em constante evolução, e à medida que exploramos novas formas de compreender a diversidade humana, torna-se crucial repensar as estruturas linguísticas que moldam nossa comunicação. Nesse contexto, a linguagem neutra emerge como uma ferramenta poderosa para incluir e validar as experiências daqueles que não se encaixam nos rótulos tradicionais de gênero.
Por muito tempo, as normas sociais e linguísticas foram baseadas em uma visão binária do gênero, dividindo a sociedade em categorias restritas de masculino e feminino. No entanto, essa abordagem exclui pessoas cujas identidades de gênero transcendem essas categorias, contribuindo para a marginalização e a invisibilidade.
A linguagem neutra surge como uma alternativa inclusiva, propondo uma forma de comunicação que não se baseia na dicotomia de gênero. Utilizando pronomes neutros, como ‘elle’, ‘ellea’, ‘delx’, por exemplo, cria-se um espaço linguístico mais aberto, capaz de abraçar a diversidade de identidades de gênero existentes.
Ao adotar uma linguagem neutra, não apenas nos libertamos das amarras binárias, mas também promovemos uma representação mais fiel da riqueza e complexidade das identidades de gênero. Isso contribui para uma sociedade mais justa e respeitosa, onde cada indivíduo se sente reconhecido e valorizado.
Apesar dos benefícios evidentes, a adoção da linguagem neutra enfrenta resistência. Algumas pessoas argumentam que isso confunde a comunicação ou desafia tradições estabelecidas. Entretanto, é fundamental reconhecer que a mudança sempre enfrenta obstáculos, e o caminho para a inclusão exige a superação de preconceitos arraigados.
A implementação efetiva da linguagem neutra exige um esforço coletivo de educação e sensibilização. Instituições educacionais, mídia e governos desempenham um papel crucial na promoção de práticas linguísticas inclusivas. Oferecer recursos educacionais e criar espaços seguros para discussão são passos vitais para superar as barreiras culturais.
A linguagem neutra não é apenas uma reformulação linguística; é um movimento em direção a uma sociedade mais compassiva e equitativa. Ao adotarmos uma linguagem que abraça a diversidade de identidades de gênero, construímos pontes em vez de barreiras, promovendo um ambiente onde todos podem prosperar. A inclusão não é apenas uma questão de palavras; é a construção de um futuro onde ninguém se sinta excluído simplesmente por ser quem é.
*O texto produzido pelo autor não reflete, necessariamente, a opinião do Portal VSP

Nelly Winter
Colunista VSP

Cuiabana de chapa, artista, escritora, publicitária, poetisa, palestrante, mestre de cerimônias e cerimonialista, questionadora de tabus, voluntária em ONG’s, apaixonada por pessoas, fascinada por divas do pop, amante de livros e DRAG QUEEN. O podcast DragPod é apresentado por ela. Nelly Winter foi criada por Thon Silva há 20 anos. E o que era hobby no início, hoje tem o objetivo debater os tabus sociais, com a finalidade de desmistificar rótulos impostos por uma sociedade machista.
Foto: Katie Rainbow/Unsplash

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