Mercado de trabalho: pessoas trans vivem na informalidade

Mercado de trabalho: pessoas trans vivem na informalidade
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A maior parte da comunidade trans trabalha sem carteira assinada, o que dificulta a garantia de direitos básicos

Por Arthur Bugre

Em 2019, entrevistei uma mulher negra transexual, de 27 anos. Ela contou que foi agredida várias vezes, verbal e fisicamente. Chegava a ficar semanas ausente da escola e, depois de repetir algumas vezes o primeiro ano do ensino médio, decidiu se formar pela Educação de Jovens e Adultos (EJA). Foi a primeira de cinco irmãos a obter o diploma. Na época, ela trabalhava às vezes como faxineira; noutras, acompanhava pessoas em hospitais ou cuidava de idosos. Mas nunca teve emprego com carteira assinada.

Em um determinado momento da entrevista, perguntei como foram as experiências dela durante entrevistas de emprego. Ela inclinou a cabeça e respondeu que até aquele momento nunca tinha participado de uma entrevista formal de emprego. Ela explicou que por telefone as coisas até fluíam bem, mas sempre que chegava pessoalmente para participar da entrevista de emprego, ao ver seu corpo negro e trans, os recrutadores davam uma desculpa para não realizarem a entrevista.

Aí eu pergunto: como fica a saúde mental de uma pessoa que frequentemente passa por isso por ser quem é?

Só para você ter uma ideia, uma pesquisa da Fapesp, de 2020, feita com 528 transexuais de sete cidades do estado de São Paulo, indicou que apenas 13,9% das mulheres trans e travestis tinham emprego formal. Já entre os homens trans, o percentual foi um pouco maior, totalizando 59,4%.

Além disso, segundo um relatório da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), 88% das pessoas trans entrevistadas acreditam que as empresas não estão preparadas para contratar ou garantir a permanência de profissionais transexuais em seus quadros. Além disso, de acordo com a mesma pesquisa, 20% da população transsexual está fora do mercado de trabalho.

Teoricamente, toda a pessoa tem direito, sem discriminação alguma, a ter um trabalho e um salário digno. Com uma remuneração equitativa e satisfatória, que lhe permita uma existência conforme com a dignidade humana. Mas diante dos dados que apresentei aqui, parece que, quando se trata de pessoas trans e travestis, esse direito pode ser desrespeitado.

Aí eu pergunto: como a população trans pode pagar suas contas, se alimentar direito e construir sua vida se o direito a ter um trabalho e salário digno é negado?

Matéria publicada orginalmente no jornal Estado de Minas
Foto: Pesquisa da Fapesp, de 2020, indicou que apenas 13,9% das mulheres trans e travestis tinham emprego formal – Por Marcos Santos/USP Imagens

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