Violência contra animais

Violência contra animais
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Os animais ocupam cada vez mais espaços entre os seres humanos; a interação entre as espécies é a cada dia que passa mais harmoniosa. O problema é que nem todo ser humano tem humanidade suficiente para entender e aceitar tal interação

Por Ana Beatriz Carvalho*

Vivemos em comunidade, uma junção de seres que dependem um do outro para o funcionamento da sociedade. O que, por vezes, passa despercebido, é que este coletivo não se dá apenas por pessoas. No meio desse tanto de gente, está uma pecinha indispensável: os animais.

Os bichinhos ocupam as mais diversas funções. Podem ser de estimação, apoio emocional, companhia, proteção, serviços e equilíbrio do ecossistema, entre tantas outras ocupações. Sobretudo, o mais importante é que não há vivência harmoniosa sem os animais.

Sua existência é muito maior do que auxiliar a existência humana. Eles estão aqui para nos mostrar a vida na sua simplicidade, sob lentes que não foram corrompidas pelo egocentrismo e ganância do homem.

É claro então, que os animais, sejam quais forem, estão aqui para nos ensinar. E juntos, podermos crescer juntos. Aprendemos com eles e, em troca, lhes damos amor, respeito e cuidado.

No entanto, esse cenário não passa de uma utopia. É quase lúdico imaginar que o ser humano vai conseguir igualar outra espécie à sua, tratar alguém que não é semelhante com o mesmo respeito que gostaria de ser tratado.

E no dia 15 de janeiro, isso apenas se confirmou.

Na região da Praia Brava, em Florianópolis, o cachorro Orelha de 10 anos morreu após ser agredido por adolescentes.

O animal, que não tinha um dono específico, era cuidado pelos moradores da região e muito querido por aqueles com quem convivia.

Por isso, uma preocupação foi instaurada quando o cãozinho sumiu. Uma das pessoas que cuidava dele o encontrou durante uma caminhada, caído e agonizando.

Ele foi recolhido e levado ao veterinário, mas a gravidade dos ferimentos deixou apenas uma alternativa para cessar o sofrimento do cão, a eutanásia.

A falta de justiça gerou comoção na mídia. Manifestações, protestos e pronunciamentos de celebridades rodaram o país e chamaram a atenção para uma pauta negligenciada.

Isso se tornou um movimento, e ele não passou despercebido, e no dia 11 de fevereiro, o corpo do animal passou por exumação a pedido do Ministério Público do estado, que enxerga lacunas na investigação feita pela Polícia Civil.

Porém, vale lembrar, Orelha não foi o primeiro e muito menos será o último animal a ser maltratado e morto por puro capricho humano. Aliás, um tipo de “ser humano” que merece atenção, exatamente como lembra a atriz Heloísa Périssé: “Quem faz isso com um animal inocente, por um simples querer, tende a repetir esse modelo de violência com outros seres vivos. Precisamos estar atentos a isso”.

Agressão normalizada se espalha silenciosamente por todos os cantos. Começa com seres indefesos. Logo mais, se expande para os próprios seres humanos e quando menos percebermos, nem Terra terá mais.

Se pararmos para pensar, já estamos trilhando esse caminho. O egoísmo do homem está levando nosso próprio planeta às ruínas. Só conseguimos pensar no nosso próprio benefício, nossas próprias vontades.

Em 2020, foi criada a Lei Sansão, a qual visa aumentar a pena para maus-tratos aos animais. Mesmo assim, em 2024, a projeção de animais em situação de vulnerabilidade ultrapassou a marca de 185 mil.

Essa arrogância cega resulta na crueldade que vemos. Não conseguimos cuidar um dos outros, preservar a integridade de quem nos rodeia.

Ações como essa tem de cessar. A injustiça ocorrida com Orelha representa o sofrimento que tantos outros animais passam em silêncio. Já é hora de mudança, antes que seja tarde demais para remediar.

Nota da redação: No início do caso Orelha circularam na redes sociais e na imprensa informações de que o animal teria sido sacrificado em virtude do estado de saúde ocasionada pelas agressões. Porém, com o avanço das investigações e das apurações e, com o depoimento do veterinário responsável pelo atendimento ao Orelha, ficou confirmado que o cão morreu já durante os procedimentos clínicos, em razão da gravidade das agressões.

*O texto produzido pela estagiária Ana Beatriz Sapata foi supervisionado pelo jornalista Cleber Siqueira

Foto: Reprodução Redes Sociais/Imagem gerada por IA

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