Desafios digitais e a pessoa idosa

Desafios digitais e a pessoa idosa
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Os desafios digitais ainda afastam e excluem a pessoa idosa, e todos nós temos responsabilidade nisso

Por Álvaro Sena Filho*

Em um mundo cada vez mais digital, eu vejo de perto como a exclusão tecnológica ainda afasta muitas pessoas idosas. Para quem cresceu sem telas e internet, esse universo pode parecer distante, difícil e até hostil. Enquanto isso, para as gerações mais novas, tudo parece óbvio e é justamente aí que mora o perigo: ignorar a dificuldade do outro.

Na ABRATI, onde dedico meu tempo ao bem-estar e à autonomia da pessoa idosa, esse tema faz parte do nosso dia a dia. Para mim, nunca se tratou apenas de ensinar alguém a mexer no celular ou abrir uma conta online. O que buscamos é algo muito maior: ajudar cada pessoa a desenvolver, com tranquilidade, sua independência digital em um mundo que, a cada dia, exige mais habilidades para coisas básicas — desde acessar benefícios até falar com a família.

O que eu vejo nas nossas oficinas é que a exclusão digital não começa só pela falta de equipamentos. Começa pelo medo de errar, pela vergonha de pedir ajuda, pelo despreparo de quem ensina e pelo etarismo disfarçado de impaciência. O resultado disso é triste: isolamento, perda de direitos e mais vulnerabilidade a golpes virtuais.

Eu acredito que a inclusão digital da pessoa idosa é responsabilidade de todos nós. Das famílias, que precisam ter paciência e apoiar sem julgar. Das comunidades, que podem abrir espaços e promover oficinas seguras para o aprendizado. E até das empresas de tecnologia, que ainda insistem em criar plataformas difíceis para quem não é jovem.

Na ABRATI, eu tenho a convicção de que cada pessoa idosa pode e deve ser protagonista da própria história, inclusive no mundo digital. Por isso, seguimos mostrando que aprender é possível em qualquer idade. Basta uma mão estendida para que alguém ganhe confiança e descubra um universo novo de possibilidades.

Cuidar para que a geração mais velha esteja incluída hoje é também cuidar do nosso próprio futuro. Porque a tecnologia só faz sentido quando é ponte, e não barreira.

Quando eu ajudo alguém a apertar o botão “enviar”, sei que não estou apenas enviando uma mensagem. Estou abrindo uma nova porta para felicidade.

Desejo a todos muito paz e saúde!

*O texto produzido pelo autor não reflete, necessariamente, a opinião do Portal VSP

Foto: Andrea Piacquadio/Pexels

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