Conseguiremos acompanhar o tempo?

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Em uma era de tanto acesso, como pode reinar a desinformação?

Por Ana Beatriz Carvalho*

Nunca foi tão fácil obter respostas, acessar explicações, ler livros, assinar cursos. Literalmente ao alcance de nossas mãos, temos telinhas mágicas com um nível tecnológico tão avançado que em questão de segundos, temos diversas respostas variadas.

Ainda assim, é curioso que neste exato período, há uma epidemia de desinformação, fake news, desatenção e, o pior de todos: falta de curiosidade.

Todo bem traz consigo algum mal. A internet veio repleta de avanços revolucionários, transformações majestosas e uma mudança definitiva na forma com que nos portamos e posicionamos no mundo, assim como a maneira com que este se impõe sobre nós.

No entanto, foi instaurada uma velocidade exacerbada até demais para se viver.

Dentro de um sistema de produção industrial, já somos obrigados a vender nosso tempo em troca de dinheiro para sobrevivência. Ou seja, já temos uma rotina corrida, cansativa.

Como se não fosse suficiente, agora veio junto mais uma obrigação: estar antenado no digital.

Além da realidade física, existe a online. Nela, conexões, contatos, oportunidades e aprofundamentos acontecem. Tal qual na vida real, a sociedade se desdobra, e aqueles que não acompanham, são descartados.

O mercado de trabalho se adaptou, os sistemas de ensino, os relacionamentos.

O mundo virou outro, não tem como negar.

Assim, somos atingidos por tantas informações diferentes que não conseguimos destinar nossa atenção completa a nenhuma delas. Quando começamos a entrar em um tópico, 10 novos já surgiram. Estamos constantemente atrasados, na necessidade de correr para nos atualizarmos.

Esse mundo digital não faz espaço para o aprofundamento. Simplesmente não dá tempo.

Com a acessibilização das Inteligências Artificiais, não precisamos mais de nossa criatividade. Um produto da extrema inovação tecnológica cria tudo por nós. Inclusive, pensa por nós.

Não tomamos mais decisões, não fazemos nossas próprias escolhas, não dominamos mais o controle de nossas vidas.

Por mais que isso pareça apenas um desenrolar natural de uma nova fase que a sociedade inicia, é, acima de tudo, uma estratégia lucrativa.

Podemos até achar que não temos tempo para pensar apenas por culpa nossa, mas fomos inevitavelmente inseridos em um sistema que faz dinheiro com a nossa ingenuidade digital.

As telas são, nada mais, do que uma grandiosa estratégia de vendas. O objetivo das redes sociais é propagar anúncios, fomentar em nós o desejo de consumir. Queremos ser igual aos influenciadores que acompanhamos, nos assemelhar às pessoas com vidas perfeitas as quais nos comparamos, moldar nossa existência para que se assemelhe ao que vemos e, para isso, compramos.

Só que se nós pararmos para pensar muito, perceberemos que estamos sendo usados. Entenderemos que não passamos de fantoches do sistema, caindo direitinho na armadilha deles.

Por isso, somos bombardeados com informações, novidades, atualizações. Tanta coisa que nem sabemos para onde olhar.

O alto nível de vício faz com que nosso tempo de atenção diminua bruscamente. Não temos mais paciência para aprender, justamente o que querem da gente.

Não conseguimos ler um texto completo, assistir um vídeo de mais de dois minutos, escutar sobre um tema que não seja de nosso extremo interesse. Não suficiente, também não queremos mais usar nossa criatividade, mesmo que tenhamos um mundo de recursos à nossa frente, porque criar dá trabalho e nos desacostumamos com o esforço.

Conseguimos tudo tão fácil que não queremos mais nos dedicar. Além de que, para criar é preciso pensar, e já não fazemos mais isso.  Não gostamos de falhar, natural da raça humana, mas em um universo que cancela o erro com crueis sentenças, preferimos nem tentar.

A realidade nos cansa tanto que é de maior conforto sair do mundo massante e mergulhar em um mundo estimulante, moldado pelo algoritmo para se decorar de tudo aquilo o que mais nos atrai.

Na internet, temos a farsa de ter um mundo feito para nós, um cantinho só nosso. Só que é de mentira. Enganação. Estratégia.

Eles nos querem alienados, silenciados por feeds infinitos e hipnotizados pelo brilho luminoso de nossos celulares. Assim, ficamos quietos. Revolução nenhuma vem daqueles que nem sequer pensam por si. Ninguém percebe os absurdos aos quais são submetidos se nem conseguem enxergar o que está a sua volta.

Compramos, compramos e compramos mais. Gastamos nossas horas livres vendo outras pessoas viverem através de pixels, ao invés de levantarmos e irmos viver nossa própria vida.

Mas sabe, não podemos deixar nossos cérebros derreterem. Literalmente temos um arsenal estrondoso de conteúdos infinitos. Podemos aprender sobre tudo.

Use da internet como um instrumento do bem. Aproveite dela para melhorar sua vida, ampliar seu intelecto, solidificar sua dimensão social.

Encare-á como uma muleta para sua criatividade, uma varinha mágica que otimiza seu tempo, não que o consome inteiramente.

Controle sua vida, retome as rédeas da sua existência. Esteja no domínio daquilo que é absorvido na sua mente, aumente a consistência daquilo que você produz, não para alimentar um sistema, mas para enriquecer sua alma. O ser humano existe para criar. Não deixe nossa essência morrer.

*O texto produzido pela estagiária Ana Beatriz Sapata foi supervisionado pelo jornalista Cleber Siqueira

Foto: Pavel Danilyuk/Pexels

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