Desafios digitais, o futuro é agora
Porquê antecipar o futuro é essencial para a pessoa idosa
Por Álvaro Sena Filho*
Ao longo da minha trajetória ensinando tecnologia na ABRATI, percebo que os desafios enfrentados pela pessoa idosa no mundo digital não vêm somente da falta de prática. Vêm, principalmente, do ritmo acelerado com que a tecnologia muda. Enquanto para os jovens tudo isso já faz parte do cotidiano, para quem nasceu em outra época o movimento é diferente, e muitas vezes acompanhado de receio, insegurança ou até falta de interesse inicial.
É justamente aí que está o ponto central: ninguém consegue se incluir no presente sem enxergar o futuro.
No projeto Conectiv-Idade, eu costumo apresentar temas que ainda não fazem parte da rotina de muitas pessoas idosas, mas que já são comuns entre os mais jovens — e que, em poucos anos, serão o padrão para todos. Isso inclui desde novas formas de comunicação até segurança digital, serviços públicos online e ferramentas que vão transformar a forma como nos relacionamos com o mundo.
Antecipar essas tendências não é exagero.
É cuidado.
É prevenção.
É inclusão real.
Quando a pessoa idosa entende o que está por vir, ela deixa de “correr atrás” da tecnologia e passa a caminhar junto com ela. É como abrir uma janela para um futuro que antes parecia distante e mostrar, com calma e clareza, que ele é possível, acessível e faz parte da vida de todos nós.
Aprender tecnologia não é só dominar um celular. É ampliar autonomia, fortalecer a autoestima e garantir segurança.
É participar da sociedade atual com liberdade e consciência.
E isso só é possível quando olhamos para frente e ensinamos hoje aquilo que, em pouco tempo, será indispensável.
Um futuro que já começou
Segundo o IBGE, o Brasil viverá até 2030 uma das maiores transformações demográficas da sua história: o país terá mais pessoas idosas do que crianças de 0 a 14 anos. É um marco que nunca aconteceu antes.
Na cidade de São Paulo, essa mudança já é realidade. Estudos baseados na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua/IBGE) mostram que o número de pessoas idosas já supera o de crianças até 14 anos. Isso revela um cenário em que a tecnologia deixa de ser algo opcional para se tornar um recurso fundamental para autonomia, saúde, proteção e participação social.
A ONU, por meio da Década do Envelhecimento Saudável (2021–2030), reforça que preparar as gerações mais velhas para o mundo digital é um compromisso global. Não se trata apenas de ensinar ferramentas, mas de garantir inclusão, segurança e dignidade.
O futuro está chegando rápido.
E a melhor maneira de acolher a pessoa idosa nesse processo é antecipar o que está por vir, ensinando de forma simples, cuidadosa e respeitosa.
*O texto produzido pelo autor não reflete, necessariamente, a opinião do Portal VSP

Álvaro Sena Filho
Colunista VSP

Fundador e presidente da Abrati. Nascido no interior de São Paulo, Álvaro trabalhou na roça até os 15 anos, hoje coordena a instituição que oferece ao público 50+ um espaço de convivência com cursos e atividades gratuitas como informática, Inglês, dança, exercício físico funcional sênior, yôga Terapia, terapia grupo de movimento, pilates, arteterapia, coral, hatha yoga, body combat sênior e karatê sênior entre outras.
Foto: Helena Lopes/Pexels

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