O imediatismo que nos controla

O imediatismo que nos controla
Compartilhe este artigo

Quando ser escravo do imediatismo e da pressa caminha para frieza e insensibilidade

Por Ana Beatriz Carvalho*

Estamos todos vivos. Preceito básico, quase óbvio. Ainda assim, bastante negligenciado pelos bilhões de seres humanos que habitam o planeta Terra.  

Vivemos a vida como se fosse uma garantia inextinguível, um fato tão indestrutível que nem temos que nos preocupar. Mas é exatamente esse pensamento que nos leva a um erro que, caso não nos dermos conta, se tornará irremediável: não vivemos, apenas sobrevivemos. 

Clichê? Bastante.  

Mas, inegavelmente verdadeiro. 

Não dá para negar que construímos uma infinidade de atalhos para a monotonia da rotina. A internet, por si só, já nos aliviou do peso dos dicionários, das enciclopédias, das revistas e jornais. Com um rápido clicar digital, conseguimos a resposta que quisermos. 

A princípio, a ideia dessa facilitação era para salvar tempo. Tarefas demoradas e trabalhosas seriam substituídas por ações simplificadas, justamente para que restasse tempo para dedicar ao que gostamos mais. 

Só que, óbvio que não seria assim.  

Nos acomodamos tanto que deixamos de pensar por conta própria. Estamos automatizando nossa vida. Pior ainda, estamos nos desumanizando. 

Deixamos de lado tudo aquilo que nos liga à essência humana. Queremos agilidade, prontidão, rapidez. O pensar, sentir, refletir nos assusta. Demora demais, exige demais.  

O imediatismo passou a comandar nosso viver, controlar nossas ações. Quanto mais prático, melhor.  

Parece que vivemos sempre com pressa, atrasados para algo. Não temos tempo para sentir a tristeza, para lidar com a frustração, para deixar a raiva se dissolver. 

Nos viciamos na busca pela resposta final, sem paciência para o processo até alcançá-la. O incômodo inerente aos processos da vida nos cansa, e andamos muito sem fôlego para enfrentá-lo. 

Mas sabe o que é o pior de tudo isso? Não existe nada mais tenebroso do que a sensação de uma vida não vivida. E a frustração reside na consciência de que só nos damos conta disso quando já é tarde demais. Quando nosso tempo já se esvaiu, escorrendo por entre os dedos. 

As memórias são forjadas no decorrer do viver. Só que se resumimos a vida aos seus inícios e fins, matamos junto com a caminhada uma imensa possibilidade de aproveitamento. 

A vida é, basicamente, a coexistência da felicidade com a tristeza. Desconfortável? Por vezes, sim. Mas necessário.  

Esse repúdio pelo sofrimento, misturado com uma negação ao esforço, nos leva a uma constante tentativa de não entrar em contato com o que é humano.  

Esquisito, né? Ao negar nossa própria origem, negligenciamos nossa própria existência. 

E nessa busca por afastar qualquer chateação, só geramos mais angústia. A falta de genuinidade junto da robotização do que deveria ser espontâneo, resulta em um abismo. Um vazio. 

Nada se é, nada se vive, nada pode se sentir. Tudo é sinal de fraqueza. Sensibilidade é codinome para uma imbecilidade, um atraso. 

Mas no fundinho sabemos que a única idiotice aqui, é escolher não viver. 

Nosso tempo é precioso. É também, incerto e indeterminado. Acha mesmo que vale a pena usufruí-lo como se fosse um recurso sem fim? 

Já passou da hora de tomar as rédeas da própria existência e assumir tudo o que faz de nós, sermos humanos. O bom e o ruim.  

Dar sentido é mais intuitivo do que parece. Basta se permitir existir. Mas, inteiramente. Estar completamente presente pode até parecer simples, mas se fosse, não enfrentaríamos esse abismo de evitação emocional.  

No fim das contas, vale a pena.  

Texto inspirado em: @/pietrabreyer, no TikTok
*O texto produzido pela estagiária Ana Beatriz Sapata foi supervisionado pelo jornalista Cleber Siqueira

Foto: Ilia Bronskiy/Pexels

Siga o Viver Sem Preconceitos nas Redes Sociais

Curta, comente, compartilhe…

Vamos fazer do mundo um lugar melhor para se viver,
um lugar com menos preconceitos!

O Portal Viver Sem Preconceitos autoriza a reprodução de seus conteúdos -total ou parcial- desde que citada a fonte e da notificação por escrito.
Para o uso de matérias e conteúdos de terceiros publicados aqui
, deve-se observar as regras propostas por eles.

Colunistas

Colunistas

Coluna semanal de nossos articulistas, sempre com temas variados sobre a diversidade e a luta contra o preconceito e as discriminações.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *