Além do estigma do HIV

Além do estigma do HIV
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O preconceito, a invisibilidade social e a necessidade de ver quem vive com HIV

Por Nelly Winter*

Ainda hoje, o tema do HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) é frequentemente tratado como um tabu. Apesar de todos os avanços científicos e de informações disponíveis, a sociedade em grande parte ainda não aceita ou acolhe quem vive com o vírus. Essa falta de aceitação, que muitas vezes resulta em segregação e preconceito, cria uma profunda invisibilidade social para milhões de pessoas. A invisibilidade social é o nosso tema de hoje, a consequência de uma batalha diária silenciosa, travada contra o preconceito e o estigma social.

Ao longo de décadas de campanhas de conscientização, o foco principal tem sido a prevenção da doença. Embora essa seja uma medida crucial, pouco se fala sobre a importância de tratar com dignidade e respeito aqueles que já vivem com o HIV. Como consequência, muitas pessoas são forçadas a esconder sua condição para evitar discriminação no trabalho, na escola, ou até mesmo no convívio familiar. O medo do julgamento alheio é tão grande que as relações pessoais são comprometidas, a autoestima é abalada e o bem-estar psicológico é colocado em risco. Essa invisibilidade é um fardo pesado, que se soma aos desafios do tratamento médico.

-A ciência venceu, o preconceito ainda não-

É fundamental reconhecer que a ciência evoluiu. O HIV não é mais uma sentença de morte. Com o tratamento adequado (a Terapia Antirretroviral, ou TARV), pessoas que vivem com o vírus conseguem ter uma vida longa, saudável e produtiva. Em muitos casos, a carga viral pode se tornar indetectável, o que significa que o vírus não pode ser transmitido sexualmente para outras pessoas. A ciência já fez sua parte, mas o preconceito social teima em não acompanhar esse progresso. A ignorância sobre os fatos é a principal causa do estigma.

-O papel da empatia-

Para combater essa invisibilidade, a empatia é a nossa maior aliada. A empatia nos convida a colocar-nos no lugar do outro e a reconhecer sua humanidade, independentemente de sua condição de saúde. Em vez de perguntar “como você pegou HIV?”, a pergunta mais importante a se fazer é “como posso te apoiar?”. Não precisamos ter todas as respostas, basta estender a mão e ser um porto seguro.

Ser receptivo e empático significa:

  • Informar-se: buscar informações precisas sobre o HIV em fontes confiáveis. Conhecer a realidade do tratamento moderno e entender que o vírus não se transmite em situacões cotidianas, como um aperto de mão ou um abraço.
  • Ouvir sem julgar: dar espaço para que a pessoa possa expressar suas preocupações e medos, sem que haja julgamento ou preconceito.
  • Oferecer apoio: o apoio não precisa ser necessariamente financeiro ou físico, o apoio emocional é o mais importante. O simples gesto de estar presente na vida de quem vive com o HIV já faz uma enorme diferença.

A luta contra o HIV já não é mais apenas médica, mas também social. É uma luta contra o preconceito. Ao reconhecer e acolher aqueles que vivem com o HIV, tiramos o vírus das sombras e o colocamos em seu devido lugar: uma condição de saúde que pode ser gerenciada, mas nunca um motivo para segregação.

Precisamos fazer com que a dignidade dessas pessoas não seja invisível. Precisamos ser a voz que ecoa a necessidade de respeito. Somente assim poderemos construir uma sociedade verdadeiramente acolhedora e solidária.

*O texto produzido pelo autor não reflete, necessariamente, a opinião do Portal VSP

Foto: A empatia ainda é a maior aliada no combate ao preconceito/UN News – Por Mujahid Safodien/AFP

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