Com pratos a R$ 2, pai cria restaurante pensado para receber autistas no RS

Com pratos a R$ 2, pai cria restaurante pensado para receber autistas no RS
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Thainá Moraes, 25, vive na cidade de Guaíba (RS) e tem um filho com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Arthur, 5, foi diagnosticado com autismo (grau leve) em agosto de 2020, no auge da pandemia. A partir daí a família deu início à jornada terapêutica que inclui consultas a neuropediatra, fonoaudiólogo e terapeuta ocupacional.

Por Luciano Nagel

Lidar com o comportamento nem sempre previsível das crianças do espectro autista é um dos inúmeros desafios de suas famílias, principalmente quando se fala de convívio social. Mas Thainá encontrou em um pequeno restaurante chamado ‘Espetinho do Vini’ um lugar de compreensão e acolhimento para o Arthur. Este é o primeiro restaurante pensado para autistas no Brasil.

Este estabelecimento vem fazendo sucesso nas redes sociais e nos meios de comunicação do Brasil pela sensibilidade do casal de empresários Vinícius Longaray, 35, e Kelli Longaray, 30, em atender os clientes, em especial crianças do espectro autista.

Vinícius e Kelly são pais de Enzo Gabriel, 5, que foi diagnosticado com TEA há cerca de dois anos.

Nós temos o nosso filho, e sabemos a dificuldade que é sair com ele, de ir a um restaurante e não encontrar uma área kids para as crianças autistas se acalmarem

Vinícius Longaray, proprietário do Espetinho do Vini

Restaurante disponibiliza fones para proteger as crianças que se incomodam com muito barulho no ambiente
Foto: Arquivo Pessoal

Thainá frequenta regularmente o ‘Espetinho do Vini’ junto com Arthur e outras amigas que têm filhos com autismo. Os encontros começaram a ocorrer após Vinícius convidar um grupo de famílias para um coquetel de reinauguração do negócio, com este novo conceito dedicado a crianças autistas, em 2018.

“É um ambiente bem acolhedor, não tem som alto e a área kids é bem moldada com brinquedos sensoriais, inclusive tem fones de ouvido para as crianças que não gostam de barulhos fortes”, comenta Thainá, que trabalha como autônoma.

Segundo o proprietário, a ideia de tornar um restaurante inclusivo para crianças autistas surgiu depois que uma cliente que estava no estabelecimento pediu para ele fechar o portão para que seu filho não saísse para a rua.

Eu fechei sem problema algum. No dia seguinte a cliente postou em seu perfil no Instagram um grande elogio sobre minha atitude. Porque também sou pai e tenho um filho autista, entendo isso. Foi a partir daí que surgiu a inspiração, de tornar o nosso restaurante adaptável a crianças autistas”, disse emocionado o pai de Enzo.

– Atendimento com acolhimento –

O que difere o ‘Espetinho do Vini’ dos tradicionais restaurantes populares é o atendimento além da infraestrutura adaptada para as crianças com TEA. “Aqui não temos aquele olhar preconceituoso com as crianças autistas. Se elas têm alguma crise, sabemos como lidar com a situação e entender o sentimento da família”, explicou.

No local há adesivos nas mesas com informações básicas sobre o transtorno do espectro autista para que os demais clientes tenham conhecimento básico do assunto.

As mesas do restaurante têm folheto com as informações básicas sobre o Transtorno do Espectro Autista / Foto: Arquivo Pessoal

Achei ótima a ideia de colocar os adesivos, pois muita gente não conhece o transtorno. Espero que outros estabelecimentos do Rio Grande do Sul, e até mesmo do Brasil, se espelhem nesse modelo de restaurante atendendo às necessidades das crianças com autismo

Thainá Moraes, autônoma, mãe do Arthur

Maicon da Silva Teixeira, de 36 anos, é supervisor em uma empresa de segurança e também tem uma filha de 5 anos do espectro autista. Ele também frequenta o local com outras crianças com TEA e sua filha ficou amiga de Enzo, filho dos proprietários. “O ambiente é bem familiar e receptivo. Podemos comer descansados e deixar as crianças brincarem com segurança“, diz.

No geral, o restaurante serve para os clientes cachorro quente, churrasco e espetinhos de carne, frango ou misto, mas como alimentação é um assunto muito delicado e uma queixa frequente dos pais com filhos com autismo, os proprietários decidiram adaptar o cardápio.

– Cardápio especial –

Para crianças com TEA, essa dificuldade na alimentação é comum porque recebem interferência direta de estímulos sensoriais.

Temos um cardápio exclusivo para crianças autistas. Algumas têm seletividade alimentar e comem somente arroz com farofa, ou arroz e batata palha, por exemplo, e nós cobramos o valor de R$ 1,90 a R$ 2,90 a porção. Não posso cobrar R$ 19,90 como cobram outros restaurantes com cardápio kids, que inclui uma pequena porção de carne, arroz, feijão e batata frita, e a criança ainda não come tudo. Não é justo”, explica Vinícius Longaray.

– O que é Transtorno do Espectro Autista –

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um distúrbio caracterizado pela alteração das funções do neuro desenvolvimento, que podem englobar alterações qualitativas e quantitativas da comunicação, seja na linguagem verbal ou não verbal, na interação social e do comportamento, como: ações repetitivas, hiperfoco para objetos específicos e restrição de interesses.

Dentro do espectro são identificados graus que podem ser leves e com total independência, apresentando discretas dificuldades de adaptação, até níveis de total dependência para atividades cotidianas ao longo de toda a vida..

Publicado originalmente no EcoaUOL
Foto em destaque: Vinícius Longaray/Arquivo Pessoal

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