Tempos Estranhos

Vivemos tempos estranhos! Tão estranhos que chegam a ser tratados como normais
Por Cleber Siqueira
Estranhos, porque, por exemplo, fica difícil entender as razões do crescimento da violência no mundo, na mesma proporção que diminui nosso tempo de reação. E aqui não falo de reação com violência, me refiro a tomada de atitudes… a atitudes práticas!
Estranhos, porque, apesar de corretamente não podermos mais declamar “o teu cabelo não nega, mulata”, por outro lado, vale cantar “meu pau te ama”. E assim, enquanto “expulsamos” o racismo, esquecemos da cultura que leva à submissão feminina, ao estupro e ao feminicídio.
Estranhos, pelo o que me disse minha filha, há não muito tempo: “papai, minha professora falou que não é correto dizer favela. O melhor agora, é comunidade“. Mas o problema é termos a certeza de que, não é porque agora pronunciamos “co-mu-ni-da-de”, que as mazelas vão sair das favelas.
Os tempos estão tão estranhos, que hoje se completa um mês do início do conflito Israel-Hamas e, enquanto eu pensava em todas as vítimas e tentava me lembrar do que fizemos pelo povo palestino, logo me veio à mente: “e o que nós fizemos pelos sobreviventes do Afeganistão, do Iraque, da Somália? E pelos órfãos de Alepo, e por todo povo sírio?“
Compartilhamos vídeos e imagens nas redes sociais e choramos! Mas é obvio que para não sermos politicamente incorretos, pensamos bem cada palavra e, assim, deixamos belas mensagens.
Mas deixamos pra quem? Para nossa bolha?
Sim, colocamos palavras nas redes para que as pessoas vejam e julguem e, quem sabe, curtam. No fim, jogamos frases ao vento destinadas a nós mesmos.
Por outro lado, quem sabe, dessa maneira, nos sentimos menos culpados por fechar os olhos a aqueles que não moram em nosso quintal?
Foto: Berke Araklı/Pexels

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