Autonomia que transforma
Porque o movimento é a base do envelhecimento ativo
Por Álvaro Sena Filho*
Na última publicação, falei sobre como o etarismo digital ainda afasta muitas pessoas idosas do mundo online. Hoje, aprofundo um ponto que atravessa esse debate e que aparece com força tanto nas oficinas da ABRATI quanto no curso de Gerontologia: a autonomia.
A capacidade funcional — que envolve força, equilíbrio, mobilidade, memória e tomada de decisão — é um dos pilares do envelhecimento ativo. Quando essa capacidade está preservada, a pessoa idosa ganha segurança para se movimentar, aprender, participar e ocupar espaços que muitas vezes lhe foram negados por preconceito, desinformação ou falta de oportunidade.
No trabalho que realizo na ABRATI, vejo diariamente como o movimento transforma vidas. Atividades como Pilates, Dança & Consciência, Karatê adaptado, Yoga, Ginástica Funcional e os grupos de movimento não servem apenas para exercitar o corpo. Elas ampliam a autonomia. É comum ver participantes que chegam tímidos, inseguros para caminhar até a esquina, e que depois de algumas semanas já estão participando das aulas de tecnologia, fazendo videochamadas, resolvendo tarefas pelo celular e retomando decisões que antes dependiam de terceiros.
Essa mudança vai além do físico. Quando a pessoa idosa percebe que consegue evoluir, o medo diminui. E quando o medo diminui, o etarismo também perde força. O preconceito com a idade se alimenta da ideia de incapacidade. A autonomia desmonta essa narrativa.
Na Gerontologia, aprendemos que envelhecer com qualidade não é apenas viver mais anos, mas manter a capacidade de fazer escolhas com liberdade e propósito. Isso exige estímulo constante, convivência, acolhimento e oportunidades reais de aprendizado. Exige também ambientes que respeitem o tempo, o ritmo e a história de cada pessoa idosa.
A autonomia, portanto, não é um detalhe. É o centro de tudo. Ela fortalece o corpo, amplia a mente e devolve presença, dignidade e participação social. E quando a pessoa idosa se percebe capaz, ela se reconecta com a própria vida e com o mundo ao redor. É por isso que, na ABRATI, cada atividade tem um propósito maior: promover saúde, movimento, autonomia e pertencimento. Envelhecer com independência é uma conquista diária, construída passo a passo, gesto a gesto.
*O texto produzido pelo autor não reflete, necessariamente, a opinião do Portal VSP

Álvaro Sena Filho
Colunista VSP

Fundador e presidente da Abrati. Nascido no interior de São Paulo, Álvaro trabalhou na roça até os 15 anos, hoje coordena a instituição que oferece ao público 50+ um espaço de convivência com cursos e atividades gratuitas como informática, Inglês, dança, exercício físico funcional sênior, yôga Terapia, terapia grupo de movimento, pilates, arteterapia, coral, hatha yoga, body combat sênior e karatê sênior entre outras.
Foto: Roman Biernacki/Pexels

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