Incluir é começar pela infância

Incluir é começar pela infância
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“Não existe inclusão verdadeira se ela não começa nos primeiros anos de vida”

Por Melaine Machado*

Iniciar um novo ano é sempre uma oportunidade de escolha. Escolher o que queremos sustentar, o que precisamos transformar e, principalmente, onde vamos colocar o nosso olhar. No Viver Sem Preconceitos, começar o ano falando de infância não é acaso — é posicionamento. Porque não existe inclusão verdadeira se ela não começa nos primeiros anos de vida.

A infância é o território onde se constroem as bases do ser humano: a forma de se relacionar, de sentir, de aprender, de existir no mundo. É também o período mais sensível e mais vulnerável às condições do ambiente. Crianças não nascem prontas; elas se constroem nas experiências que vivem, nos vínculos que estabelecem, nos espaços que ocupam e no modo como são vistas.

Quando falamos em inclusão, muitas vezes pensamos apenas em adaptações tardias, em intervenções pontuais ou em discursos bem-intencionados. Mas incluir não é corrigir depois. Incluir é cuidar antes. É garantir que toda criança — com ou sem deficiência, neurotípica ou neurodivergente — tenha acesso a experiências que promovam pertencimento, desenvolvimento e dignidade desde o início.

A psicomotricidade nos ensina que o desenvolvimento humano acontece de forma integrada: corpo, emoção, cognição e relação caminham juntos. O comportamento da criança não é um problema isolado; ele é uma resposta ao ambiente. Quando o espaço não acolhe, o corpo reage. Quando o ritmo é desajustado, a criança se desorganiza. Quando não há oportunidade de brincar, de se mover, de experimentar, o sofrimento aparece — muitas vezes disfarçado de “dificuldade de comportamento”.

Para crianças com deficiência e transtornos do neurodesenvolvimento, essa realidade é ainda mais delicada. Elas costumam ser as primeiras a serem cobradas e as últimas a serem compreendidas. Espera-se que se adaptem a contextos que não foram pensados para elas. E isso não é inclusão — é exclusão disfarçada de normalização.

Incluir é criar ambientes reguladores, relações seguras, tempos possíveis e experiências significativas. É reconhecer que o brincar não é um luxo, mas um direito. Que o corpo não é um obstáculo, mas um caminho. Que a diferença não é um problema a ser corrigido, mas uma expressão legítima da diversidade humana.

Abrir este ano com esse olhar é assumir um compromisso coletivo: o de proteger a infância, de escutar o que as crianças comunicam com seus gestos, seus silêncios e seus movimentos, e de construir uma sociedade que não espere que elas se encaixem, mas que se transforme para acolhê-las.

Porque incluir é começar pela infância.

E cuidar da infância é cuidar do futuro — mas também do presente.

Que este ano seja um ano de mais presença, mais consciência e mais humanidade.

Com afeto, ciência e compromisso social.

*O texto produzido pelo autor não reflete, necessariamente, a opinião do Portal VSP

Foto: RDNE Stock project/Pexels

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