Autismo não tem cura… e isso não é um problema!

Hoje, 02 de abril, é o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Instituída pela ONU em 2007, a data tem o objetivo de disseminar conhecimento e ressalta a necessidade de se criar programas de apoio às pessoas com autismo, assim como visa também a necessidade de se quebrar tabus e eliminar os preconceitos
Por Melaine Machado*
Abril é o Mês da Conscientização do Autismo, e nunca se falou tanto sobre o assunto. O aumento da informação e da visibilidade é positivo, mas também abre espaço para desinformação. Um dos maiores perigos que vejo se espalhando entre as famílias de crianças autistas são as falsas promessas de “cura”.
Muitas famílias, ao receberem o diagnóstico de autismo na infância, passam por um período de incerteza e medo. E é nesse momento de vulnerabilidade que surgem discursos enganosos, oferecendo tratamentos “milagrosos” que prometem eliminar o autismo. Infelizmente, essas abordagens não apenas não funcionam como também podem colocar a criança em risco.
– O perigo das terapias sem embasamento –
Recentemente, têm surgido métodos questionáveis, vendidos como solução definitiva para o autismo. Alguns prometem “reverter” o quadro com dietas extremas, suplementação sem controle médico, terapias invasivas e até substâncias químicas perigosas. O que todas essas promessas têm em comum? Falta de comprovação científica e risco à saúde.
O autismo não é uma doença. Ele é uma condição neurológica que acompanha a pessoa ao longo da vida. Portanto, buscar uma “cura” significa, na prática, negar a identidade da criança e colocar sua saúde física e emocional em risco.
– O impacto emocional na infância –
Além dos danos físicos que essas intervenções podem causar, há um impacto profundo na autoestima e no desenvolvimento da criança. Quando ela cresce ouvindo que algo nela precisa ser “consertado”, isso pode gerar insegurança, ansiedade e até depressão.
Crianças autistas precisam ser acolhidas e compreendidas, não moldadas para se encaixarem em um padrão considerado “normal”. O foco deve estar no suporte adequado para que elas desenvolvam sua autonomia, suas habilidades e sua comunicação, respeitando suas particularidades.
– O que realmente funciona? –
Se a ideia de cura é perigosa, então o que os pais podem buscar para ajudar seus filhos? O que realmente faz a diferença são intervenções baseadas em evidências científicas, que respeitam o desenvolvimento infantil e garantem qualidade de vida. Algumas das mais recomendadas incluem:
• Psicomotricidade – ajuda no desenvolvimento da coordenação motora, noção corporal, organização espacial e regulação emocional, fatores essenciais para a autonomia da criança autista. Através do movimento e do jogo, a psicomotricidade possibilita um aprendizado mais natural e adaptado às necessidades individuais.
• Terapia ocupacional com integração sensorial – ajuda na regulação sensorial e na adaptação ao ambiente, fundamental para crianças que apresentam hipersensibilidade ou dificuldades motoras.
• Análise do Comportamento Aplicada (ABA) quando bem aplicada – apoia o desenvolvimento de habilidades importantes sem forçar a criança a reprimir sua essência.
• Fonoaudiologia – essencial para crianças não falantes ou com dificuldades na comunicação verbal e não verbal.
• Suporte familiar e educacional – ambientes inclusivos fazem toda a diferença na evolução da criança, garantindo que ela tenha oportunidades de aprendizado e socialização.
– Precisamos falar mais sobre neurodiversidade –
Em vez de procurar “consertar” o autismo, precisamos aprender a respeitá-lo. O conceito de neurodiversidade nos ensina que o cérebro humano pode funcionar de formas diferentes – e todas essas formas são válidas.
O verdadeiro desafio não está na criança autista, mas na sociedade, que ainda impõe barreiras e exige que elas se adaptem a um mundo que não foi pensado para elas. O que precisamos é quebrar esses obstáculos e garantir que cada criança, autista ou não, tenha oportunidades justas para crescer e ser feliz.
Se você é mãe, pai ou cuidador, e está em busca do melhor para seu filho, desconfie de qualquer promessa de cura. O melhor caminho é sempre o conhecimento, o acolhimento e o respeito.
Seu filho não precisa ser curado. Ele precisa ser compreendido.
Vamos compartilhar essa informação e proteger nossas crianças
*O texto produzido pelo autor não reflete, necessariamente, a opinião do Portal VSP

Melaine Machado
Colunista VSP

Profissional de Educação Física, psicomotricista clínica, especialista em desenvolvimento infantil. Criadora dos Projetos “Brincar Sensorial ” e “SOS mães atípicas” (a importância de cuidar de quem cuida). Desde 1996 tem proporcionado a inclusão social das crianças por meio do BRINCAR, que são atividades lúdicas que auxiliam no desenvolvimento. Nas redes sociais aborda os temas em @melaine_motricidade.
Foto: Selos que apresentam obras de arte de pessoas com autismo foram emitidos pela Administração Postal da ONU para celebrar o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo.
Reprodução Mark Garten/ONU

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