Infância e segurança alimentar: impactos e perspectivas no G20

Infância e segurança alimentar: impactos e perspectivas no G20
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Presente na abertura do Fórum Ilumina Zona Oeste sobre o G20, no mês passado, nossa colunista traz para o Portal VSP um dos assuntos de grande destaque no evento

Por Melaine Machado*

A segurança alimentar é definida como o acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente para atender às necessidades nutricionais e garantir uma vida saudável. Ela envolve a disponibilidade de alimentos, o acesso econômico e físico, e a utilização adequada dos mesmos. No Brasil e globalmente, a insegurança alimentar afeta de forma desproporcional as populações mais vulneráveis, incluindo crianças, mulheres pretas e famílias chefiadas por mulheres.

– O contexto da segurança alimentar no Brasil –

Dados recentes do IBGE mostram que mais de 33 milhões de brasileiros enfrentam fome, e cerca de 58% vivem em algum grau de insegurança alimentar. Mulheres pretas que chefiam famílias representam um dos grupos mais afetados, devido a fatores estruturais como racismo, desigualdade de renda e exclusão social. Esses desafios têm impactos diretos na infância, prejudicando o desenvolvimento físico, cognitivo e emocional das crianças.

Segundo o relatório “Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo”, da FAO, países da América Latina, incluindo o Brasil, têm enfrentado retrocessos em avanços obtidos no combate à fome, agravados por crises econômicas, mudanças climáticas e desigualdades sociais.

– Infância e insegurança alimentar –

A desnutrição na infância tem efeitos devastadores:

• Impactos físicos: prejuízo no crescimento e desenvolvimento corporal.
• Impactos cognitivos: déficits no aprendizado e na memória.
• Impactos psicológicos: maior propensão a transtornos de ansiedade e depressão.

Além disso, crianças em situação de insegurança alimentar enfrentam maior risco de perpetuar o ciclo da pobreza, com acesso limitado a oportunidades de educação e emprego no futuro.

– Mulheres pretas e chefes de família –

Pesquisas indicam que mulheres pretas chefiam 43% das famílias em situação de extrema pobreza no Brasil. Elas enfrentam maiores desafios para acessar alimentos devido a salários mais baixos, informalidade no trabalho e falta de políticas públicas direcionadas a essas realidades. Além disso, enfrentam sobrecarga emocional e física ao equilibrar trabalho, cuidados domésticos e educação dos filhos.

Soluções Propostas no G20

Durante as discussões do G20 2024, a presidência brasileira destacou prioridades relacionadas à fome e desigualdade, com propostas como:

  1. Políticas públicas inclusivas: fortalecer programas como o Bolsa Família, que priorizem famílias vulneráveis.
  2. Empoderamento econômico de mulheres: investir em educação e geração de renda para mulheres chefes de família, especialmente em comunidades marginalizadas.
  3. Educação alimentar e nutricional: implementar iniciativas que promovam o uso eficiente de recursos alimentares e incentivem práticas sustentáveis.
  4. Apoio à agricultura familiar: incentivar práticas agroecológicas e a compra direta de alimentos de pequenos produtores para abastecer programas sociais.

– Resultados e caminhos –

Estudos recentes mostram que programas como o PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) e iniciativas de bancos de alimentos têm impactos positivos no combate à fome infantil. Contudo, especialistas alertam para a necessidade de ampliar o alcance dessas políticas e integrá-las a estratégias de enfrentamento às desigualdades de gênero e raça.

Conclusão

A segurança alimentar é um direito humano fundamental, e seu alcance depende de ações integradas que combatam desigualdades históricas. No contexto do G20, reforça-se a importância de priorizar crianças e mulheres chefes de família nas políticas públicas, visando não apenas erradicar a fome, mas também construir uma sociedade mais justa e sustentável.

*O texto produzido pelo autor não reflete, necessariamente, a opinião do Portal VSP

Foto: Marcos de Paula/Prefeitura do Rio de Janeiro

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