Convívio e respeito às pessoas com deficiência

Convívio e respeito às pessoas com deficiência
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Você já parou para pensar sobre quais são suas percepções sobre a deficiência?

Por Ciça Cordeiro*

Cada pessoa é um ser único e plural, com inúmeras combinações de gosto, ideias, personalidade, experiências, história de vida, crenças e muitos outros aspectos. É bom saber que para tornar o ambiente mais inclusivo, lembre-se que antes de tudo sempre vem a pessoa, com sua identidade, virtudes e vontades.

A deficiência não deve ser considerada algo a ser consertado, uma doença a ser curada, algo que torne alguém menos capaz ou que atrapalhe a produtividade. Ela não é, portanto, uma condição limitadora ou que classifica um indivíduo. A deficiência é apenas uma característica pessoal, como tantas outras.

Portanto, cuidado para não ter uma atitude capacitista!

Vamos entender mais sobre esse universo?

Cerca de 8,4% da população brasileira tem algum tipo de deficiência, o que representa 17,3 milhões de pessoas, segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2019, divulgados pelo IBGE, após revisão do censo de 2010, que apontava 24% da população, 45 milhões de pessoas.

Pessoa com deficiência é aquela que tem impedimentos de longo prazo, de natureza física, mental, intelectual ou sensorial que, em interação com diversas barreiras, podem ter obstruída sua participação plena e efetiva na sociedade, em igualdade de condições com as demais pessoas. (Lei Brasileira de Inclusão – LBI – 13.146 de 6/Jul/2015)

Deficiência, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), significa a perda permanente, parcial ou total de uma funcionalidade do corpo.

Capacitismo é a discriminação e preconceito social contra pessoas com algum tipo de deficiência, onde se subestima suas capacidades e habilidades por usar como referência um padrão pré-estabelecido.

Interseccionalidade estudo da sobreposição ou intersecção de identidades sociais e sistemas relacionados de opressão, dominação ou discriminação. Ou seja, uma mesma pessoa que possui mais de um marcador social, como por exemplo, uma mulher negra com deficiência, ou um homem LGBTQIAP+ com deficiência.

Acessibilidade é a possibilidade e condição de alcance para utilização, com segurança e autonomia, de espaços, mobiliários, equipamentos urbanos, edificações, transportes, informação e comunicação, inclusive seus sistemas e tecnologias, bem como de outros serviços e instalações abertos ao público, de uso público ou privados de uso coletivo, tanto na zona urbana como na rural, por pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida.

Deficiências visíveis e invisíveis. Nem toda deficiência é visível ou aparente. Há uma pluralidade de deficiências e de diversidade de corpos. Essas características únicas podem ser visíveis ou invisíveis. Pessoas com deficiências não aparentes têm os mesmos direitos que todas as pessoas com deficiência aparentes. Inclusive direito ao RESPEITO!

Vieses cognitivos ou inconscientes, também conhecido como vieses inconscientes, acontecem quando criamos padrões, baseados nas nossas experiências e percepções prévias. Estes padrões nos fazem interpretar, perceber e interagir com o mundo de uma forma automática, baseado em estereótipos sociais de algum grupo ou indivíduo.

Neurodiversidade, variações naturais no cérebro humano em relação à sociabilidade, aprendizagem, atenção, humor e demais funções cognitivas. São chamadas de pessoas neurodiversas ou neuroatípicas, indivíduos com TEA (Transtorno do Espectro Autista) e/ou TDHA (Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade), dislexia e Síndrome de Tourette.

Termos e expressões que não devem ser falados

Fique atento à sua fala. Não se refira à pessoa como:

  • Deficiente – o jeito correto é “pessoa usuária de cadeira de rodas” ou “pessoa com deficiência física” pois primeiro vem o indivíduo com toda sua humanidade. Prefira sempre destacar a pessoa. Há discussões sobre a validade ou não do uso do termo cadeirante, já que ressalta o instrumento utilizado pela pessoa. Se necessário, utilize apenas em conversas informais.
  • a PcD – cuidado para não reduzir a pessoa a uma sigla. Se necessário, pode usar com moderação, nos casos de escrita onde há espaços diminutos, sempre no feminino pois é a abreviação de pessoa com deficiência. Nunca use como adjetivo ou qualidade da pessoa (por exemplo: tenho um amigo PcD).
  • Portador de deficiência – “portar” significa carregar objetos de que podemos nos desfazer depois. A deficiência é uma condição da pessoa.
  • Aleijado/a, defeituoso/a, incapaz ou inválido/a – este termo era utilizado antigamente para se referir às pessoas com deficiência física e hoje não cabem mais em nosso vocabulário por serem termos preconceituosos, que diminuem o valor e a capacidade da pessoa.
  • Sofre de/vítima de/padece de problema físico – termos como estes trazem um sentido negativo em relação a algo que deveria ser naturalizado por se tratar de uma característica da pessoa. Além de contribuir para retratá-las como indefesas ou objeto de piedade, a deficiência não deve ser considerada uma dor a ser superada.
  • Especial/excepcional – colocar a pessoa neste lugar em função de sua deficiência é uma visão capacitista. Se precisar se referir à deficiência da pessoa, ao invés de falar “necessidades especiais” utilize o termo “necessidades específicas”.
  • Dica de ouro! Nunca use a deficiência como adjetivo. Chame a pessoa pelo nome.
  • Exemplo de superação, guerreiro – a visão de super-herói pode até parecer um elogio, mas também é capacitista. Avalie se não existe a crença preconcebida de que uma pessoa com deficiência não é capaz de fazer algo.
  • Ele/ela é deficiente, mas é um(a) ótimo/a profissional – além do uso incorreto da palavra “deficiente”, o uso da palavra “mas” traz um preconceito, como se a deficiência fosse um limitador.
  • Uso exagerado dos diminutivos. A tendência de infantilizar o tratamento, mesmo com intenção carinhosa, reflete uma relação desigual. Quem ofereceria uma “aguinha” ou um “suquinho” a uma pessoa adulta sentada numa “cadeirinha”, enquanto ela espera “bonitinha” a reunião começar? Esse tipo de tratamento é ainda mais frequente em relação às pessoas com deficiência intelectual, mas também acontece muito com pessoas com nanismo, pessoas que usam cadeiras de rodas, que são surdas, cegas; pessoas adultas que são subestimadas quando tratadas como crianças.
  •  Importante: deficiência não tem a ver com eficiência ou ineficiência!

Lembre-se: o oposto de pessoa com deficiência não é normal, é pessoa sem deficiência.

*O texto produzido pelo autor não reflete, necessariamente, a opinião do Portal VSP

Ciça Cordeiro
Colunista VSP

Jornalista, consultora em diversidade e inclusão, gestora em cultura inclusiva, comunicação e eventos acessíveis. Palestrante, atua ainda com políticas públicas para pessoas com deficiência. É a coordenadora de comunicação e consultora em DE&I no Grupo Talento Incluir.

Foto: Cottonbro Studio/Pexels

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