Jovem Puyanawa fala sobre o 19 de abril

Dia 19 de abril, é dia do Índio?
No calendário brasileiro, sim, mas tanto data como título são controversos. Pelo menos para os povos indígenas.
Frequentemente, a imprensa noticia morte, atentados, casos e descasos contra indígenas, seja no garimpo, seja no desmatamento que se aproxima de regiões desmarcadas e também quando essas áreas são invadidas. E, excetuando as pessoas que notadamente já defendem a causa, ninguém faz nada, muito menos o governo federal.
O Viver Sem Preconceitos conversou com Carol Puyanawa, de 21 anos, da etnia Puyanawa, para que ela nos passasse sua visão sobre os motivos que podem levar a esse desprezo pela vida e pela cultura indígena. Os Puyanawas são um grupo indígena que habita o extremo oeste do Estado do Acre.

Foto: Carol Puyanawa/arquivo Pessoal
Para a jovem, foi um conjunto de erros históricos e preconceitos que culminou na ignorância do homem branco de hoje. “pra começar, a data deveria se chamar ‘o mês dos povos indígenas’. Será que as pessoas ainda não perceberam que para nós, o termo índio é preconceituoso e que a luta pelos nossos direitos é feita todos os dias e não apenas, hoje?” Carol diz ainda que, por ser um erro histórico, há um grande empenho de muitos povos indígenas para a desconstrução do nome índio. “Esse termo nos foi dado pelos colonizadores há 521 anos, pois trataram os habitantes locais como seres atrasados, sem nunca respeitar a cultura dos povos. E o erro persiste hoje, pois continuamos sendo considerados pessoas atrasadas em todos os campos do saber, com o agravante que ainda nos chamam de preguiçosos”.

Foto: Arquivo pessoal
Com tantas frentes de luta, Carol acredita que haja um consenso sobre qual seja a principal pauta de todos os povos indígenas: é o ser visto e ouvido, afinal as agressões que os povos têm sofrido são intermináveis. “Em algumas regiões as invasões são frequentes, em outras as demarcações de terra já vem sendo solicitadas há mais de 40 anos, sem êxito. De um lado, o governo nos esconde e nos calam, de outro, os meios de comunicação nem sempre nos dão ouvidos”, explica.
Para finalizar, a jovem Puyanawa manda um recado para as professoras, principalmente para as da pré-escola: “Hoje é um dia que muitas escolas usam para fazer uma ‘homenagem’ aos ‘indiozinhos’, pintando os rostos de suas crianças, colocando uma pena na cabeça e com a mão na boca fazendo gestos e sons, como se nós indígenas fizessemos isso. Pois saibam que no Brasil hoje existem mais de 300 povos indígenas e nenhum deles faz isso. Esse tipo de ensinamento além de errado, é preconceituoso”.
Foto em destaque: Carol Puyanawa/arquivo pessoal